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SOMENTE PALAVRAS... - 02Abr2021 23:09:43
que de dedos se traduzem as palavras,
se de cheiros novos tamanhos se de memórias irrompendo a vida soprando o tempo na imitação de sons, se mais alfabeto e se menos vento. demora a morder o impossível que de coisa nova ignora, a anterior pendurada mas não arrumada que será contudo diferente. do leviano endereço que digo e omito no apetite insondável e indiferente que caminhou como invento e como rebento de unguento. prosseguirei desta cadeira sem perigo ou sem abrigo mas sempre no mesmo postigo que me irrigue e dure, até que a viste perdure! Eduarda 11/05/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=132262 AMAR É... - 02Abr2021 23:09:43
amar é...
um tempo que não fala uma glória quente colada de lilases, um sumo de versos que nos aquece na idade da noite em passo de valsa no rosto moldado do vento. amar é? aquele sentir involuntário da maré que ousa afogar devagar, a tempestade dos pensamentos, tornando as águas uma linguagem universal. amar é ? aquela coisa contrária a uma outra, filha da noite e da chama prometida na chuva turva que ébria, nos entorna o fogo do tudo e nada de estar preso e voar definido sem ser tocado. amar é? aquele sopro que ganha luz a viagem inconsciente que nos invade a acreditar a ceia esfomeada depois da maré-cheia. amar é ? ser frágil e aço, de ser grito e cor aquém da alma e do céu e estar acordado no silêncio do sono. Eduarda 09/05/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=131970 NOS TEUS GESTOS SOU... - 02Abr2021 23:09:43
há um vento luminoso que se solta de noite.
tem a cor dos teus olhos e o sabor da tua voz. avança em tom de alabastro, num gesto suave das tuas mãos. empurra-me levemente para o brilho do teu olhar, doces pontos que página iluminada e semeada de novos murmúrios se ouvem. acordarei na manhã das aves, sobre o teu sono leve e apanharei da tua sombra o rasto dos segredos, como se o teu corpo fosse um enigma de símbolos, roçando-me num abraço. e ficarei contigo como folha corrente de rio, que o acaso me indicou como princípio desfolhado no fundo dos sentidos. serei na tua pele o despontar da madrugada, o sulco macio que sei e que leio no fio do poema. Eduarda 08/05/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=131852 APENAS UM SOPRO... - 02Abr2021 23:09:43
ofereceste-me palavras para entrarem
lentamente no meu corpo e pensar que abraçava uma nova noite no sangue da esperança. mergulhei inteira na vela da fogueira à espera do sopro da asa. afinal tinha sido apenas um golpe de gelo, um sonho indigente e embriagado na névoa fatal. abri o ventre como castigo da ferida que me deixaste aberta e vazei os olhos, para cortar as palavras que disse, condenadas de um crime que não cometi. desenho agora nas roupas desbotadas, mãos e língua, coalhadas de sangue e cubro o rosto com as cinzas das velas feridas e enterradas nos buracos do meu corpo. e para não ter mais sonhos, cortei as asas da noite inteira e atirei-as ao poço do falso adulador, que passou por mim, com as mãos arrumadas e apagadas de águas. e eu fico aqui a coleccionar mergulhos no alto dos poemas, na companhia do vinho e do cigarro, enquanto o mar me esmaga as dores do corpo e das palavras na brecha da consciência. Eduarda 07/05/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=131686 AMOR QUE SEI E CANTO! - 02Abr2021 23:09:43
e deste amor que sei e canto,
com o teu olhar apontado à minha boca, leve lanterna que inventámos de coragem tanta, que fazemos no passo que nem eu sei do pensamento. tenho nas veias e nas costelas este amor feito de dois, na página certa e no lápis exacto que resiste. o teu olhar escreve estreito a distância, entre a ideia e a palavra, entre o sopro do vidro e o vestido da lua, onde o sol se vira de bruços. dentro do perfil da luz e do espaço nu do fogo, cerramos mudos as tardes dilatadas... mordemos o frio dissolvido no ar... pisamos as cores arrumadas... e construímos este fogo denso que passa e repassa no abraço. passamos pela espuma branca com os pés fincados na areia dos astros, avançamos de cor pela sombra dos corpos e dos olhos escrevemos versos como quem morre. Eduarda 04/05/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=131276 QUANTO DE TI... - 02Abr2021 23:09:43
quando do meu sono digo quando de ti acordo,
como gávea acalentada de espumas e sóis, e te transformas em trevo de sol quanto me meditas em arco de sopro, e me roças os lábios em íris de sonhos. renasces em cada manhã como murmúrio de mar, abrindo os braços em descobertas, num leme secreto sem descanso de convés. sai do teu peito um rumor de viagem que derramas em mim qual onda incendiada. ensinas-me as rotas na proa da pele, espalhando os pés do porão incompleto e inscrevendo no diário os ilimites dos céus. emerges como capitão de luz, recôndita obra que sopra das vagas sem oposição de cadência. no banco do mundo, somos o som das bocas da maré-cheia e a vela confessa na seara de espuma. Eduarda 29/04/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=130568 RETICÊNCIAS... - 02Abr2021 23:09:43
que parte da espuma branca
acreditei no lamentoso canto da gaivota se sorriso em face de dor se salgado verso de turvo silêncio? que beijos alterosos as vagas me trouxeram os risos das marés como se a onda fosse um escadeado azul e o grito uma negação calada? que de distante poente se soltou a promessa se em vão escuro de escarpa se vergada alma açoita e tímida que se quedou muda no tumulto da areia? ai este corcel copioso e desvanecido que se dissolveu nas partículas da insolação e se tornou vento incerto no lado do silêncio! Eduarda 28/04/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=130417 Realidade - 02Abr2021 23:09:43
tudo parece real nas noites oblíquas das turfas
nos risos das casas e nos papéis das sombras. as pedras esguias tornam-se dentes de estátuas e a seiva percorre o dorso da corça na escuridão dos corpos decepados. há gritos de amor e de lamentos parecendo riscas secretas nos rostos velozes que se tocam. depois há sempre a espera, a que se distrai e a que se lança em ameaça no minuto do sereno ou no olhar agendado que se move no chão. e os nomes que se entornam nos pés que não mordem mas golpeiam. realidade, são as palavras ditas e as não sentidas, a cor dos lábios sem alento que respiram e sofrem num tremor subsistente. realidade é a febre das palavras e o futuro lento dos ventres no suor dos corpos em movimento. Eduarda 27/04/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=130263 VENTO SOPRADO - 02Abr2021 23:09:43
no vento soprado sou voo de condor escondido, lançado no grito de dor no rosto sombrio de galhos rasgados cortam-se peles no urro dos ventos silêncio largado no esboço do sal com ventres enlutados e ilhas de barro estátua prenhe de gravura talhada peito sem vida no ramo esgotado adeus sifilítico com ar em suspenso fragmentos de boca em sangue suposto na medida dum tempo sem tempo a supor. Eduarda 25/04/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=129989 PENEIRA DE SONHOS - 02Abr2021 23:09:43
a peneira dos sonhos
absorve-me as contínuas bátegas quando me tocam, assim parto feita nuvem esventrada. no declínio do abandono fico além do poço fundo que caminho sem retorno. só passos e só pedras na paisagem que seda ou peçonha são os medos da viagem. reencontro o membro do dia que toca as esquinas ao roçar os ombros no lago do outono. reconhecem-me as bátegas que só param findo o sono. Eduarda 20/04/2010 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=129221 | ||||||
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